quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007


O Amor das palavras

Puxam-me os cabelos
Arrancam-me as palavras
Alongam-se os segredos
Em quatro pinceladas

Seguram-me a mão
Esmagam-me o coração
Levam a mágoa
Para outra dimensão

Mergulham tão fundo
Elevam o mundo
A um novo patamar
Àquele que quero chegar

Se o paraíso é efémero
Levem-me daqui
Soprem-me num só suspiro
Como um etéreo colibri

Entalam-se na garganta
Enlaçam –se no coração
Colam-se-me nos lábios
Repuxam a dor
Soltam a liberdade

Enlaçam-me em paixão
Afogam-me em perdição
É duro o amor
Entre a poesia e um escritor

A Cova do Libérrimo

Era inocente
Era vão continuar a desenterrar o passado
Em vez de viver o presente
No entanto ele continuava
Escavando o vale dos murmúrios sem cessar

Arrancando a cada investida,
A terra vestida num suspiro
Que trazia ares de mendigo
E o impedia de se libertar

Libérrimo, era tudo o que
Ele sonhava ser
Não era mel nem fel,
Apenas queria permanecer
Chorar, cavar
Para não morrer

E quando uma pardoca esvoaçava
Ele sorria e esbracejava
Tentando voar, tentando abraçar
Sentir o futuro que não queria largar

E era assim que se formava
A cova que o libérrimo amargurava
E era assim que ele deixava de vez
O passado que o sustentava

quarta-feira, 4 de Julho de 2007

As Mãos

Como seda
Fazem renascer
Fizeram-me encarnar
Todo o meu ser

Como ricos tecidos
Em mil veias cozidos

A rosa gelada
Que escorregou dos seus dedos
Segura
Guarda mil segredos

Como teias de amor
Que suportam a dor

Materializam o milagre
Destroem a saudade
Sem piedade
Cravam
A alma
Em melodia
Usam a harpa
Ressuscitam a fantasia

Dão tudo em que crêem
Partilham o mundo
Sangram até as lágrimas secarem
Acreditam até as fontes escassearem
Salvam uma flor duma gota de orvalho
Condensam o mundo num único baralho

Renascem
Os jardins levados pelo vento
Refazem
Os bancos corroídos pelo tempo
Imortalizam
Os momentos passados
Fazem-me ser real

E só quando as asas caírem
E as linhas ganharem ferrugem
Eu desistirei de polir
Aquilo que com as mãos dela,
Palavras reluzem
Boneco de Latão

Olho-te através de um vidro
Tu sorris
Como é possível existir tal simplicidade e
Grandeza , olhando ,
Através da vitrine

O teu olhar é de uma luz
Que ultrapassa todas
As barreiras e vidraças
Que imponho
Eu , tão frio e imponente
Aos olhos dos demais

Quando olho para ti
Todas as espadas , espingardas e elmos
São inúteis ao teu olhar
Trespassante ,
Sou um boneco tremuluzente e inanimado

Um dia , olho pela vidraça
Ela parte-se , milhares
De cores estilhaçadas
Pelas tuas palavras

Atingem-me o
Coração , como flechas
E eu fico sem ar
Por momentos todas
As luzes , cores e memórias
maravilhosamente talhadas
Perdem todo o significado
Passam por mim como um
Filme em câmera lenta

A espada de ouro foi “ não ”
Depois de cair à tua frente
Estilhaçado e
Uma última lágrima se quebrar
No chão gelado
A cassete de um boneco falante
Começou vagarosamente
A rodar
Eu , aqui no chão

Sinto , repentinamente
Um sentimento impenetrável
Ser substituído por um
Sólido bloco de raiva

Depois do encanto
Ter sido quebrado
E os estilhaços
Voltarem à vitrine
Juro que ,
Nunca mais te irei deixar
destruir o coração
de um eterno
Boneco de Latão .
The way you do me

First I wasn’t used to the
Way you do me
I was feeling so shy
Good you couldn’t see it
But now I know
I won’t have to go
Hiding myself, blaming myself, hurting myself
Staying in a shell…

Chorus:

That’s right, that’s the way
You do me
It’s ok, that’s the way
You do it
I won’t hide
You won’t cry
Thank you babe
Coz the way you do me
It’s so well

I was so blind
That I couldn’t see it
I was so nerd
That I haven’t seen you
You are taking, a part of me
You are giving me, a part of you
Yeah, yeah

Chorus:

That’s alright, that’s the way
You do me
That’s ok, that’s the way
You do it
Don’t be shy
I won’t bite
Thank you babe
Coz you make it special
To me

By everything or nothing

Can you trust me please?
Could you believe me for once?
I’m so afraid, that you see what isn’t true

Don’t need to be jealous
Or pick up the other girl
Just to watch me with him
Makes your eyes get so cold
Babe, please forgive me
I know that you don’t like it
That breaks your heart
Watching me going, just for a walk

But you must believe,
Coz I won’t deceive you
You know I don’t
I wouldn’t be capable to do it
Coz I know what means suffering
By everything or nothing
Yes, I do

God, you gotta hear me
Keep the change
I’ll pretend I don’t see it
Just to laugh
Even though, I still
Don’t know what to think
Still don’t know what to do
Oh, somebody help me
Somebody can tell me
Why don’t you face the truth?

I swore to myself that I wouldn’t hide
I told them how strong I was, but now I can’t fight
But I’m not gonna suffer
Start laughing and smiling
By everything or nothing,
Coz that’s the way I want it to be

I still believe in a new starting
I still believe in a new beginning
Coz now it’s not falling
By everything or nothing,
I’m a bit disappointed
With myself and the others
But I won’t be a foul
I won’t start crying
By everything or nothing
You know
I’m not laughing
By everything or nothing

I don’t love him
Like I need you
Don’t tell me that that means nothing
Coz to me
It tells everything
It’s you that I dream of
I’m afraid you don’t hear me
Please baby
Believe me
Give me one more try

I’m reliable
I’m trying to unify our thing
I won’t disinter
Our love every winter
You have to try too

terça-feira, 3 de Julho de 2007


Morte

Uma luxúria da vida
Um manto negro
De cacau puro
Que cobre a pele mansamente
Arranca o espírito de repente
E solta a vela da alma
Docemente

Morte
O intervalo para descansar
Que a vida traz e leva
Sem medo de se cansar
Serena tudo traz
Brutalmente tudo acaba

Morte
Silêncio de manhã macabra
Que há noite parda
Correntes
Oleadas pelo amor
Agora sufocam
E provocam dor